
Você já terminou uma crise emocional e, depois, não conseguiu lembrar do que disse, fez ou até sentiu? Como se aquilo tivesse acontecido com outra pessoa, ou como se tivesse sido um sonho distante? Se você vive com transtorno de personalidade borderline, essa sensação pode ser mais comum do que imagina. A amnésia dissociativa no TPB não é um sinal de fraqueza ou de que você está “inventando”. É uma resposta automática do seu sistema emocional diante de sobrecarga intensa. E entender isso pode aliviar a culpa, a confusão e o medo que muitas vezes vêm junto com esses lapsos de memória.
Principais pontos do artigo:
A amnésia dissociativa no TPB surge como uma forma de proteção emocional diante de crises intensas.
A dissociação no borderline pode fazer com que partes de uma crise sejam esquecidas ou sentidas como irreais.
A perda de memória no TPB não é aleatória: está ligada diretamente à intensidade emocional do momento.
As crises dissociativas podem incluir sensação de desconexão da realidade, do corpo ou do tempo.
Existem caminhos práticos para lidar com a amnésia dissociativa no transtorno de personalidade borderline sem se culpar.
O que é a amnésia dissociativa no contexto do TPB
A amnésia dissociativa no TPB é um fenômeno em que partes de uma experiência emocional intensa simplesmente “somem” da memória consciente. Isso não significa que você fingiu ou que está sendo dramático. Significa que, em um esforço extremo de autopreservação, sua mente escolheu temporariamente desconectar-se do que estava acontecendo. Esse mecanismo é comum em quem vive com transtorno de personalidade borderline, especialmente durante ou após situações de grande estresse emocional, como conflitos interpessoais, críticas ou percepções de rejeição.
Essa perda de memória no TPB costuma envolver detalhes específicos: o que foi dito, como você reagiu, o tom de voz de alguém, ou até o que sentiu naquele momento. Você pode lembrar do antes e do depois, mas o “durante” parece apagado. Isso gera uma sensação de irrealidade, como se aquilo tivesse acontecido em um filme, e não na sua vida real. A dissociação no borderline opera como um escudo invisível, mas necessário, que permite que você continue funcionando mesmo quando tudo por dentro parece desabar.
Por que a dissociação surge com tanta frequência no borderline
A regulação emocional no TPB é constantemente desafiada. Quando as emoções atingem um nível que parece incontrolável, o cérebro ativa mecanismos de defesa automáticos. A dissociação no borderline é um deles. Ela não é escolhida conscientemente. É uma resposta fisiológica e psicológica a uma sobrecarga que ultrapassa o limite do suportável naquele instante.
Além disso, o medo de abandono e amnésia estão frequentemente conectados. Muitas crises que desencadeiam crises dissociativas começam com uma percepção — real ou imaginada — de que alguém está se afastando. Essa ameaça ativa um estado de alerta extremo, e, em alguns casos, a mente “desliga” como forma de proteger você da dor emocional. Por isso, é comum não lembrar do que aconteceu durante uma crise de TPB. Seu corpo e sua mente estavam focados em sobreviver, não em registrar.
Impactos da amnésia dissociativa na vida cotidiana
A amnésia dissociativa no transtorno de personalidade borderline pode gerar consequências práticas e emocionais significativas. Você pode se sentir confuso ao perceber que outras pessoas lembram claramente de algo que você não consegue acessar. Isso pode alimentar inseguranças, como “Será que eu estou mentindo para mim mesmo?” ou “Será que sou confiável?”. Além disso, a falta de memória pode dificultar o aprendizado com situações passadas, já que parte da experiência não está disponível para reflexão.
Outro impacto comum é o vazio emocional e dissociação. Depois de uma crise, em vez de sentir alívio ou clareza, você pode se sentir vazio, distante ou “fora do corpo”. Essa desconexão persistente pode interferir em relacionamentos, no trabalho e na capacidade de tomar decisões. A sensação de que “a crise foi um sonho” é uma forma de seu sistema tentar isolar a dor, mas também pode deixar você mais vulnerável a novas crises, já que não há integração emocional do que ocorreu.
Imagine acordar depois de um episódio intenso e descobrir, por relatos de outras pessoas, que você disse coisas que não reconhece como suas. Isso não é sinal de que você é perigoso ou instável. É sinal de que sua mente usou a proteção emocional no TPB da única forma que sabia naquele momento. E isso merece compreensão, não julgamento.
Como lidar com a amnésia dissociativa de forma prática e segura
A primeira e mais importante recomendação é buscar terapia para dissociação. Um profissional pode ajudar você a entender os gatilhos das suas crises dissociativas, a reconhecer os sinais de que está começando a se desconectar e a desenvolver estratégias para manter a presença mesmo em momentos difíceis. A terapia não apaga o passado, mas ajuda a integrar o que foi fragmentado, reduzindo a frequência e a intensidade da amnésia dissociativa no TPB.
Além disso, é útil criar formas seguras de registrar o que acontece durante ou após uma crise. Isso pode ser feito com a ajuda de alguém de confiança que esteja presente, ou com anotações simples feitas assim que você se sentir capaz. O objetivo não é reviver a dor, mas ter um ponto de referência que ajude a entender seus padrões sem se culpar.
Também é importante validar sua experiência. Não lembrar do que aconteceu durante uma crise de TPB não significa que você está errado ou que está fugindo da responsabilidade. Significa que você estava em um estado de sobrevivência emocional. Aceitar isso com gentileza é um passo poderoso rumo à estabilidade.
Cinco ações práticas para lidar com a amnésia dissociativa no TPB
- Busque terapia para dissociação com um profissional que entenda o transtorno de personalidade borderline.
- Crie um sistema simples de registro pós-crise, como anotações ou conversas com alguém de confiança.
- Pratique a autobservação sem julgamento: perceba os primeiros sinais de desconexão da realidade no borderline.
- Estabeleça rotinas que aumentem seu senso de segurança física e emocional no dia a dia.
- Evite revisitar crises com autocrítica; em vez disso, pergunte: “O que eu precisava naquele momento?”.
Se você sente que a amnésia dissociativa no TPB tem atrapalhado sua vida mais do que o normal, saiba que não está sozinho. Muitas pessoas com transtorno de personalidade borderline passam por isso e encontram caminhos de estabilidade com o tempo e o suporte certo. Uma forma de se sentir menos isolado é acompanhar o perfil @meuolharborderline . Lá, você encontra conteúdos feitos com cuidado por quem entende de verdade o que é viver com essa condição.
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Obrigada por ter lido até aqui. Seu esforço em buscar entender o que acontece dentro de você já é um ato de coragem e cuidado. Que essas palavras tenham sido um lembrete de que você merece compreensão, especialmente da sua própria parte.
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FIM!





