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Você já se sentiu como se estivesse olhando para dentro de si mesmo e não encontrasse nada? Não é tristeza, não é cansaço, não é solidão. É algo mais profundo: uma ausência que não tem nome, mas ocupa todo o espaço. Se você tem Transtorno de Personalidade Borderline, essa sensação de vazio pode ser uma companhia silenciosa e constante, tão presente que chega a parecer normal. Mas ela não é normal, nem inevitável. E entender como ela se manifesta é o primeiro passo para não deixar que ela defina quem você é.
Principais pontos do artigo:
- O vazio emocional no Transtorno de Personalidade Borderline é um sintoma central e muitas vezes mal compreendido.
- Esse vazio crônico não é ausência de emoção, mas sim uma desconexão interna difícil de nomear.
- A experiência emocional no borderline com o vazio pode ser confundida com depressão, mas tem características próprias.
- O vazio no TPB influencia diretamente a regulação emocional e as escolhas do dia a dia.
- Existem caminhos práticos para lidar com essa sensação sem recorrer a comportamentos autodestrutivos.
O que é o vazio emocional no Transtorno de Personalidade Borderline
O vazio emocional no Transtorno de Personalidade Borderline não é simplesmente se sentir triste ou desmotivado. É uma sensação de ausência interna que persiste mesmo quando tudo ao seu redor parece estar bem. Você pode estar cercado de pessoas, ter conquistas, estar em um momento estável da vida, e ainda assim sentir que algo essencial está faltando algo que você não consegue identificar, mas que pesa como um buraco no peito.
Esse vazio crônico é um dos critérios diagnósticos do TPB e está diretamente ligado à instabilidade da autoimagem. Como não há uma base sólida de identidade, a pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline pode se sentir como um recipiente vazio, esperando que algo do lado de fora dê sentido ao que está dentro. Isso gera uma busca constante por estímulos externos: relacionamentos intensos, mudanças bruscas de planos, consumo excessivo, ou até comportamentos impulsivos, tudo na tentativa de preencher esse espaço interno que parece não ter fundo.
Por que o vazio persiste mesmo quando tudo parece bem
A desconexão interna típica do vazio no TPB não responde a soluções lógicas. Você pode racionalizar que “não tem motivo para se sentir assim”, mas isso não muda a sensação. Isso acontece porque o vazio emocional persistente no trastorno Transtorno de Personalidade Borderline não é causado por uma falta objetiva, mas por uma dificuldade em se conectar com suas próprias emoções, desejos e valores de forma contínua.
Muitas pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline relatam que, em momentos de calma, o vazio se torna ainda mais evidente. Quando não há crise, conflito ou emoção intensa para distrair, sobra apenas o silêncio interno e esse silêncio pode ser assustador. Por isso, é comum buscar constantemente algo que “faça sentir algo”, mesmo que isso traga consequências negativas depois. O vazio não é ausência de dor; é ausência de presença. E a dor, paradoxalmente, pode parecer mais suportável do que o nada.
Imagine estar em uma sala completamente escura, sem paredes definidas, sem chão firme, sem eco. Você grita, mas não há resposta. Não porque ninguém está ouvindo, mas porque não há superfície para o som bater. Esse é o tipo de sofrimento psíquico que o vazio emocional no Transtorno de Personalidade Borderline pode provocar: uma experiência de não existência subjetiva, mesmo quando seu corpo está presente.
Como o vazio afeta a vida diária e as relações
O vazio crônico não fica confinado ao mundo interno. Ele se espalha para fora, influenciando decisões, relacionamentos e a forma como você se vê no mundo. Pode levar a escolhas impulsivas, como mudar de emprego repentinamente, terminar um relacionamento estável ou gastar dinheiro de forma descontrolada, tudo na tentativa de sentir que está vivo ou que tem um propósito.
Nas relações, o vazio emocional pode se manifestar como uma necessidade constante de validação. Você pode se apegar rapidamente a alguém, esperando que essa pessoa “preencha” o que falta. Quando a relação não consegue sustentar essa expectativa, o que é humano e inevitável, o vazio volta com ainda mais força, gerando frustração, raiva ou desespero. Isso cria um ciclo difícil de romper: quanto mais você busca fora o que só pode ser construído dentro, mais profundo o vazio se torna.
Além disso, o vazio no TPB pode ser confundido com depressão, mas há uma diferença crucial. Na depressão, há tristeza, desesperança e falta de energia. No vazio emocional do borderline, há uma neutralidade opressiva, uma sensação de que nada importa, nem mesmo a si mesmo. Isso pode levar à autoconexão frágil, dificultando até mesmo cuidar das necessidades básicas, como alimentação, higiene ou descanso.
Caminhos reais para lidar com o vazio sem se perder
A boa notícia é que, embora o vazio emocional seja um sintoma persistente do Transtorno de Personalidade Borderline, ele pode ser gerenciado com o tempo, apoio e prática consistente. O primeiro passo é reconhecer que o vazio não é um defeito seu, mas uma resposta a uma história de desconexão emocional. Você não está quebrado; está aprendendo a se reconectar.
Buscar terapia é essencial. Um profissional pode ajudar você a identificar padrões, construir uma autoimagem mais estável e desenvolver formas saudáveis de lidar com a sensação de vazio. A terapia não promete eliminar o vazio de um dia para o outro, mas oferece um espaço seguro para você aprender a conviver com ele sem se deixar dominar.
Além disso, pequenas ações cotidianas podem fortalecer sua autoconexão. Isso não significa “se amar mais” ou “pensar positivo”, mas sim criar hábitos que reforcem sua presença no mundo. Coisas simples, como manter uma rotina mínima, cuidar do corpo com gentileza, ou dedicar alguns minutos por dia a uma atividade que traga foco (como cozinhar, desenhar ou caminhar), ajudam a ancorar você no presente.
Também é útil observar sem julgamento quando o vazio aparece. Em vez de lutar contra ele ou tentar preenchê-lo imediatamente, pergunte-se: “O que estou sentindo agora? O que preciso, mesmo que não saiba nomear?”. Essa atitude de curiosidade, em vez de resistência, pode transformar o vazio de um inimigo em um sinal de que algo dentro de você pede atenção.
Cinco ações práticas para enfrentar o vazio emocional no dia a dia
- Estabeleça uma rotina mínima de autocuidado, mesmo que pareça insignificante escovar os dentes, tomar banho, beber água.
- Escreva diariamente, mesmo que só uma frase, sobre como você se sente, não para resolver, mas para reconhecer.
- Evite preencher o vazio com estímulos intensos (compras, relacionamentos, substâncias) sem antes respirar e esperar alguns minutos.
- Pratique estar presente em atividades simples, como preparar uma refeição ou ouvir uma música do início ao fim, sem distrações.
- Busque terapia regularmente, não como último recurso, mas como um espaço de construção contínua de si mesmo.
Se você sente que o vazio emocional no Transtorno de Personalidade Borderline tem dominado seus dias, saiba que há quem entenda essa experiência sem julgamento. Acompanhar o perfil @meuolharborderline pode ser uma forma de encontrar vozes que falam a sua língua emocional, com respeito e clareza.
E se você quer mergulhar mais fundo na compreensão do que é viver com Transtorno de Personalidade Borderline e, principalmente, no que é possível construir a partir daqui o E-book Meu Olhar Borderline foi feito pensando em você. Ele não oferece respostas fáceis, mas caminhos reais, escritos por quem já caminhou por aí.
O vazio não define quem você é. Ele é apenas uma parte da sua história, e histórias podem ser reescritas, um dia de cada vez. Você já está fazendo isso ao buscar entender, ao ler até aqui, ao não desistir de si mesmo. Isso, por si só, já é um ato de presença.
Obrigada por ter lido cada linha com a atenção que merece. Seu esforço em buscar sentido, mesmo quando tudo parece vazio, é uma prova silenciosa de que você está mais presente do que imagina.
FIM!


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