Este artigo analisa a personagem central da série britânica Fleabag, criada e protagonizada por Phoebe Waller-Bridge. Se você ainda não conhece sua história completa, a leitura a seguir revela aspectos profundos de sua jornada emocional.
A narrativa explora suas tentativas de lidar com um luto recente e com a culpa por eventos traumáticos. O público frequentemente associa seu comportamento ao transtorno de personalidade borderline devido à sua instabilidade emocional intensa e seus padrões de relacionamento conturbados.
Sua forma de se envolver em dinâmicas amorosas e familiares caóticas, alternando entre necessidade extrema e autossabotagem, gera essa discussão. Vamos separar o que é observável na obra do que é um diagnóstico clínico real.
Quem É Fleabag?

Na série homônima lançada em 2016, Fleabag é uma jovem adulta londrina tentando administrar um café, agora sozinha, à beira da falência. E curiosamente com a temática de porquinhos-da-índia. Ela lida com a dor da perda de sua melhor amiga, Boo, e com um relacionamento familiar disfuncional.
Sua trajetória é marcada por uma série de relacionamentos instáveis. O vínculo difícil com a irmã, Claire, e o pai ausente são centrais. Seus encontros amorosos são breves, intensos e muitas vezes autodestrutivos.
Na série é mostrado traumas explícitos, como a morte da mãe e o suicídio de Boo, eventos que moldam sua visão de si mesma e sua conduta. A personagem usa o humor ácido e representado visualmente pelas quebras da quarta parede* como mecanismos de defesa para evitar lidar com seus traumas.
Como Foi O Passado De Fleabag?
O passado de Fleabag é revelado de forma fragmentada, focando em traumas da vida adulta jovem que explicam seu comportamento atual. A série não mostra sua infância ou adolescência; em vez disso, utiliza flashbacks para construir o peso emocional do presente.
Características Do TPB Em Fleabag
Medo intenso de abandono e esforços para evitá-lo: Sim. Fleabag frequentemente age de formas desesperadas para manter pessoas por perto, mesmo em relações tóxicas. Ela tolera situações humilhantes por medo da solidão.
Padrão de relacionamentos instáveis e intensos: Sim. Seus vínculos, especialmente com homens, oscilam entre idealização e desvalorização rápida. Ela busca conexão intensa, mas sabota a intimidade quando esta se aproxima.
Instabilidade afetiva e reatividade do humor: Sim. A instabilidade emocional é um traço marcante. Seu humor muda drasticamente em curtos espaços de tempo, do humor sarcástico ao choro e à raiva profunda, muitas vezes desencadeada por pequenos eventos.
Comportamentos impulsivos e autodestrutivos: Sim. Ela se envolve em sexo casual de risco, mente compulsivamente e tem dificuldades financeiras por ações impensadas. Esses atos parecem aliviar temporariamente seu sentimento crônico de vazio.
Sentimentos crônicos de vazio: Sim. Fleabag expressa diretamente essa sensação. Seus comportamentos parecem ser tentativas constantes e falhas de preencher um vazio interno, o que é um critério diagnóstico importante.
Afinal, Fleabag Tem Ou Não O TPB?
Dos nove critérios oficiais, Fleabag demonstra de forma consistente e observável pelo menos cinco deles. Isso indica uma compatibilidade moderada a alta com os padrões descritos para o transtorno de personalidade borderline.
É crucial lembrar que ela é uma construção narrativa. A série comprime eventos dramáticos para o storytelling, enquanto na vida real o diagnóstico de borderline requer uma avaliação longitudinal e profissional.
Seus momentos de crise na trama ocorrem em contextos de estresse extremo, mas o padrão de sofrimento parece persistente. A obra não explora todos os critérios, focando naqueles que impulsionam o drama.
Além Do Borderline: Outras Possibilidades
Sua dificuldade extrema de lidar com as mortes da mãe e de Boo também lembra muito um transtorno de estresse pós-traumático não resolvido. Os flashbacks e a culpa intrusiva são sintomas claros.
A forma como ela se isola e sua visão negativa de si mesma podem indicar episódios de depressão maior. Condições emocionais frequentemente coexistem e se influenciam, o que é importante para uma avaliação clínica correta.
O Desafio de Encarar o Próprio Reflexo, ou outro.
Se você se reconhece em alguns desses padrões ao assistir Fleabag, isso não é uma definição. Reconhecer certas dinâmicas em si mesmo pode ser o início de uma jornada de autocompreensão.
Muitas pessoas que se identificam com essas lutas encontram um caminho para uma vida mais estável com terapia. Buscar ajuda é um passo válido rumo à direção certa.
Encontrar apoio faz toda a diferença. Muitas pessoas acompanham reflexões diárias sobre isso no perfil @meuolharborderline.
Para quem quer entender essas camadas com mais profundidade, o E-book Meu Olhar Borderline oferece um mergulho em perspectivas que vão além da ficção.
A jornada de Fleabag é poderosa e merece ser vista na íntegra. A série convida à reflexão sobre dor, resiliência e a complexa busca por conexão em meio ao caos interno.
Entre A Personagem E A Dor
Intensidade emocional observável em um personagem não equivale a um diagnóstico de borderline. No entanto, entender esses critérios com clareza ajuda a desmistificar o transtorno de personalidade borderline.
Isso é fundamental para quem vive essas questões, buscar o apoio profissional mais adequado. Ver traços familiares na ficção pode ser um ponto de partida para uma reflexão pessoal importante.
Embora a jornada de Fleabag nos apresente uma face crua e por vezes desoladora da dor, ela não precisa ser um destino final. A melhora e até mesmo a remissão dos sintomas no Transtorno de Personalidade Borderline é um objetivo realista e alcançável por meio de terapia consistente e suporte adequado.
Disclaimer: Este texto é uma análise exclusivamente didática de um personagem fictício, com base em comportamentos observáveis e na forma como ela é interpretada pelo público. O objetivo é oferecer clareza sobre o Transtorno de Personalidade Borderline, ajudando quem se identifica com esse transtorno a reconhecer padrões, refletir com mais segurança e buscar terapia com um profissional qualificado. Nenhuma parte deste artigo deve ser interpretada como verdade absoluta, nem constitui diagnóstico, avaliação clínica ou opinião médica.
FIM!
*A quarta parede é a barreira imaginária que separa o mundo da história, do mundo real onde nós estamos (quando ela olha, ou fala como a câmera). Imagine que os personagens estão em uma sala com três paredes físicas; a “quarta parede” seria o vidro da TV, ou dispositivo eletrônico.




