Conviver com alguém que tem Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ser uma jornada cheia de desafios emocionais. Em muitos momentos, pode parecer que essa pessoa está te afastando propositalmente, dizendo coisas como "você não me entende" ou "eu prefiro ficar sozinho". No entanto, é importante entender que essas reações frequentemente vêm do medo de abandono, da dor emocional intensa ou da dificuldade em regular suas próprias emoções – e não de um desejo real de afastamento. Para permanecer presente sem se perder no processo, é fundamental adotar uma postura de compreensão genuína, paciência e apoio incondicional.
Antes de tudo, é essencial reconhecer que o comportamento de uma pessoa com TPB nem sempre reflete sua verdadeira vontade. O transtorno pode fazer com que ela oscile entre momentos de idealização extrema – onde você é visto como perfeito – e desvalorização repentina, onde qualquer coisa pode ser interpretada como rejeição. Essas mudanças podem deixar o parceiro confuso, machucado ou até mesmo tentado a se afastar.
Mas aqui está o ponto crucial: essa pessoa precisa de você mais do que nunca, mesmo quando parece estar te afastando. Isso não significa que você deve tolerar comportamentos abusivos ou negligenciar sua própria saúde emocional. Significa que, ao entender o que está por trás dessas reações, você pode responder de maneira mais assertiva e amorosa, criando um espaço seguro para ambos.
Ficar por perto de alguém com TPB exige mais do que boa intenção. É preciso aprender estratégias práticas para lidar com os momentos de crise enquanto mantém o relacionamento saudável e equilibrado.
Quando a pessoa estiver passando por uma crise emocional, o que ela mais precisa é sentir que você está ali, sem julgar seus sentimentos ou comportamentos. Evite frases como “Você está exagerando” ou “Por que você não consegue controlar isso?”. Em vez disso, diga algo como:
"Eu sei que isso está sendo difícil para você, e eu estou aqui para o que você precisar."
Essa validação emocional pode acalmar a pessoa e mostrar que você a enxerga além do transtorno.
Durante momentos de alta agitação emocional, sua reação pode influenciar diretamente o estado dela. Se você entrar em confronto ou reagir impulsivamente, isso só aumentará a tensão. Ao invés disso, respire fundo, fale devagar e com tranquilidade, usando frases curtas como:
"Está tudo bem. Podemos conversar sobre isso mais tarde, se você quiser."
Sua calma pode funcionar como um "ancoradouro", ajudando-a a se sentir mais segura.
Uma comunicação clara e respeitosa é fundamental para evitar mal-entendidos. Explique suas intenções de forma gentil, evitando acusações ou ameaças. Por exemplo:
"Eu quero entender como você está se sentindo. Vamos tentar encontrar uma solução juntos?"
Isso cria um ambiente colaborativo, ao invés de confrontacional.
Lembre-se de que as mudanças de humor em pessoas com TPB são rápidas e frequentes. Não leve isso para o lado pessoal. A paciência é uma ferramenta poderosa para atravessar essas oscilações sem se desgastar. Entenda que, muitas vezes, a pessoa está lutando contra si mesma, e não contra você.
Aproveite os períodos de tranquilidade para fortalecer o vínculo. Comemore pequenas vitórias, como uma conversa produtiva ou um dia mais calmo. Esses momentos são preciosos e merecem ser valorizados. Eles também servem como lembretes de que, apesar dos desafios, há luz no caminho.
Há momentos em que a pessoa com TPB pode parecer querer distância, mas isso não significa que você deve desaparecer completamente. Na verdade, sua presença tranquila e atenta pode ser uma fonte de segurança silenciosa, mesmo quando ela não consegue verbalizar isso. Aqui estão algumas formas práticas de permanecer por perto sem invadir o espaço dela.
Se a pessoa estiver muito exaltada ou começando a projetar sentimentos negativos sobre você, é importante respeitar a necessidade dela por um momento sozinha. No entanto, isso não significa que você precisa se afastar completamente. Em vez disso, retire-se calmamente para outro cômodo, onde ainda esteja presente, mas sem pressioná-la. Por exemplo, diga algo como:
"Vou ficar no outro cômodo, mas estou aqui caso precise de mim."
Isso mostra que você está oferecendo espaço, mas também mantém uma conexão física próxima.
Às vezes, a pessoa com TPB pode não pedir ajuda diretamente, mas pequenos sinais podem indicar que ela precisa de apoio. Fique atento a sons fora do comum, como portas batendo, passos rápidos ou até mesmo silêncios prolongados. Esses sinais podem sugerir que ela está lidando com emoções intensas e talvez precise de sua presença, mesmo que não consiga admitir verbalmente. Se perceber algo incomum, espere pacientemente em outro cômodo, deixando claro que você está disponível se ela quiser conversar ou apenas sentir sua presença.
Nem sempre é necessário dizer algo para demonstrar que você está ali. Às vezes, sua simples presença no ambiente pode fazer toda a diferença. Enquanto ela está em outro cômodo, você pode enviar uma mensagem curta e gentil, como:
"Estou aqui no outro cômodo, pensando em você."
Esse tipo de mensagem reforça que você está por perto, mas respeita o espaço dela. Além disso, evite interromper ou forçar a conversa; permita que ela processe seus sentimentos no próprio ritmo.
Quando a pessoa precisar de tempo sozinha, escolha um cômodo próximo e fique à disposição. Evite distrações como televisão alta ou música, pois isso pode dar a impressão de que você está indiferente ao que ela está passando. Em vez disso, use esse tempo para refletir sobre como pode apoiá-la melhor quando ela estiver pronta. Um simples gesto, como preparar uma bebida quente ou deixar algo reconfortante na mesa, pode transmitir cuidado sem palavras.
Embora seja natural querer ajudar ao máximo, cuidar de alguém com TPB pode ser emocionalmente exaustivo. Por isso, é essencial que você também cuide de si mesmo para continuar presente de forma genuína.
Entender o transtorno ajuda a interpretar os comportamentos da pessoa de forma mais objetiva. Livros, vídeos educativos e artigos confiáveis podem esclarecer dúvidas e reduzir mal-entendidos. O perfil @meuolharborderline oferece insights valiosos sobre como lidar com essas situações de forma prática e empática.
Relacionamentos com pessoas com TPB podem gerar estresse significativo. Reserve tempo para atividades que promovam seu bem-estar, como exercícios físicos, hobbies relaxantes ou conversas com amigos. Lembre-se: você só pode ajudar alguém se também estiver bem.
Terapia individual para você pode ser extremamente benéfica. Um terapeuta pode ajudá-lo a desenvolver estratégias para lidar com o estresse e a ansiedade causados pela convivência, além de fornecer suporte emocional.
Encoraje a pessoa com TPB a procurar ajuda profissional, seja através de psicoterapia ou acompanhamento psiquiátrico. Se ela ainda não estiver em tratamento, ofereça apoio na busca por especialistas capacitados.
Permanecer por perto de alguém com TPB exige compreensão, paciência e equilíbrio. Lembre-se de que você não precisa fazer tudo sozinho – buscar apoio externo é uma atitude inteligente e responsável. Ao mesmo tempo, valorize sua própria saúde emocional, pois só assim será possível continuar presente de forma genuína.
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Obrigada por dedicar seu tempo a este texto. Espero que ele tenha iluminado seu caminho e proporcionado ferramentas úteis para enfrentar os desafios com mais clareza e compaixão.